Gentil, conversadora, sem complicações nem hesitações, com o seu modo docemente directo de falar.
Mais que tudo tem uma presença simplesmente simpática.
Sentia vontade de lhe falar sem segredos, de ignorar os constrangimentos, por não nos conhecermos há muito tempo, e de lhe perguntar tudo o que a curiosidade suplicava mas a timidez não permitia.
Após um fim de semana, no seguimento da cordial mas interessada pergunta, de como o tinha passado, respondeu-me que tinha estado em limpezas.
Permiti, inadvertidamente, algum protagonismo à minha atrevida curiosidade.
- E protegeste bem o cabelo?
- Sim, coloquei um lenço. - Respondeu sem hesitar.
Era a resposta que sonhara ouvir mas não estava pronto para lidar. Tentava não ficar embaraçosamente mudo nem descontroladamente falador, para não confessar que me seduzira com uma singela frase.
Surpreso pela acutilância, derretido pela sensualidade e sem rumo definido deixei-me levar pelo raro e delicioso momento.
- E como o prendeste?
- Em triângulo, com nó atrás. - Sem ter consciência do quanto me provocava.
- E que cor é? - Aprofundando o tema
- Azul. Gostas?
- Muito.
- E porque gostas do lenço?
- É muito sensual. Demasiado... - Confessei o que tinha há muito vontade de confessar, mas não tinha encontrado a quem.
- E eu gosto que gostes. E gosto de saber disso - Gentilmente respondeu quase em trocadilho.
Saber que tinha usado um lenço na cabeça em triângulo, atado atrás, na forma que mais me seduz, já era desconcertante. Sentir que havia alguma curiosidade sua por este fenómeno ainda mais derretido me deixava. Ficava a vontade de passar horas na conversa, de saber mais de Maria mas todos temos os nossos tempos e as nossas tarefas.
Ansiava pela oportunidade seguinte de conversar com Maria. É tão bom poder falar com quem perfuma a conversa de simpatia e ao mesmo tempo me permite a liberdade de partilhar o meu segredo.
Era frequente me dizer que ia prender o cabelo. Já tinha percebido que por mais que tentasse resistir tinha de lhe perguntar como.
- Com o meu lenço azul, em fita de nó em cima. - Sabendo que me provocava respondia assim.
- Deves estar tão gira e sensual. Como adoraria ver-te! - Tentando me conter na quantidade de elogios que realmente me apetecia fazer. Temia que a deixasse constrangida ou que achasse forçado.
- Gosto de conversar contigo. - Confessou no seu habitual registo sincero
- Fico mais que feliz por saber. - Tanto que me deixa quase corado.
Com Maria tudo saia naturalmente embora toda a conversa fosse online, por ainda não nos termos conhecido pessoalmente.
O que pode parecer trivial para a maioria é íntimo para alguns quando, passados poucos dias, me disse que tinha 15 lenços. Teve o cuidado de os contar para me dizer. Sabia que me provocava mas certamente não imaginava como. Imaginei-a, passo a passo, a abrir a sua gaveta e suavemente levantando o canto de cada lenço para os contar. Senti-me a partilhar a sua intimidade como se duma confidência fosse.
Queria saber tudo mais para prolongar esse especial momento mas não tive a coragem de o confessar. Queria saber quantos grandes e quantos pequenos, quantos de algodão, sintéticos ou seda e as respectivas cores ou padrões. Desejava fortemente transformar essa confidência numa imagem mental.
- Sabes que gostei muito do que me contaste. É muito provocador. - Tive novamente vontade de confessar.
- Gostaste? A sério?
- Adorei.
Enquanto me encontrava nesse imaginativo turbilhão oportunamente pediu:
- Espera um bocadinho. Já volto.
Passados dois minutos voltou.
- Fui buscar um lenço para prender o cabelo. - Prontamente declarou
- Como adorava ver-te. E como o prendeste?- Não conseguindo evitar de o dizer.
- Fiz uma fita e dei um nó em cima.
- E que cor é o lenço. - Sem conseguir conter a minha curiosidade.
- Azul. Gostas? - Em tom ligeiramente provocatório.
- Mesmo sem ver tenho a certeza que sim. Muito...
Sabia como fazer a minha imaginação voar, deixando-me pontualmente sem palavras. Era um silêncio que muito dizia.
O tempo e as múltiplas conversas sem preconceitos, aproximavam-nos intimamente, pouco a pouco.
A minha vontade era expor o meu segredo cada vez mais e o desejo de um encontro crescia em proporção.
De qualquer modo o mistério de ver apenas sua escrita era provocador.
Estava a ficar louco para saber como era nem que fosse apenas seu contorno ou ouvir sua voz.
As nossas conversas cresciam. Tanto em tempo como em intimidade. Provocávamos-mos frequentemente até limites que fariam corar meio mundo.
Sabia como me inflamar e como usa-lo.
- Sabes que estou com um lenço na cabeça? - Propositadamente me seduzia.
- E como ataste desta? - Inquiria ansioso enquanto criava uma imagem mental.
- Apenas em fita com nó atado em cima. - Respondia com sensual simplicidade.
- E que cor? - Desejando ver mais
- Rosa.
- Adoro
- E que farias se estivesses aqui?
- Não me provoques
- Que farias? - Insistia perversa.
- Brincava com o teu lenço em ti.
- Como me colocavas? - Impedindo-me de fugir à questão
- Desatava o lenço, abria a fita e dobrava em triangulo e punha-te como camponesa.
- Gostas?
- Adoro.
- Paravas ai?
- Não era capaz.
- E?...
- Voltava a desatar o teu lenço. Não resistia a vendar-te.
- Eu deixava-te vendar-me. - Sabendo que assim me tinha na mão.
- Coloco-te pesadamente as mãos sobre os ombros - Passando a falar no presente.
- Tão bom...
- Desço as mãos pelas costas e por cada vez que subo, pela frente desaperto um botão da tua blusa. Aos poucos exponho a tua barriga até desapertar todos
- Estico-me para ti...
- Deixo cair a blusa... Olho bem para ti agarro o teu corpo e encosto ao meu por uns instantes. Desprendo discretamente o teu soutien que cai indefeso.
- Contorço-me para que vejas bem a minha sensualidade.
- Atrevidamente respiro quente sobre o mamilo esquerdo. Aos poucos aproximo-me em silencio aproveitando estares vendada. Até que envolvo o mamilo com os lábios.
- Empurro o meu peito para ti.
- Lambo imoralmente o teu mamilo alternado com o outro enquanto te desaperto o botão das calças.
Nesta altura já tinha sido passado o ponto do não retorno. Virtualmente envolvidos, num pecaminoso cenário que nos humedece e descontrola. Maria deixa-se ir e eu, que nunca imaginara ser capaz desta virtual intimidade, sou arrastado pela sua profunda sensualidade.
- Tiro-te a Camisa - Contra-ataca Maria
- Coloco-te os dedos pelo interior das cuecas rendadas forçando-as pelas tuas pernas abaixo. Percorro avidamente todo o teu corpo com as minha imorais mãos.
- E eu puxo-te para mim.
- Com as duas mãos agarro fortemente as tuas nádegas puxando-te também, de frente contra mim. Vais ser o meu prato principal.
- Vem para mim.
- Empurro-te, ainda vendada com lenço rosa, para a cama e abro-te bem as pernas expondo-te à minha imoralidade. Com os lábios mordisco o interior das tuas coxas.
- Vem mais...
- Quero saborear-te.
- Saboreia
- A minha língua percorre o perímetro da tua intimidade. Sinto o teu delicioso cheiro a mulher. Até que sem mais resistir procuro o teu sabor.
- Faz-me feliz.
- Provo superficialmente a tua intimidade.
- Eu abro-me mais para ti, puxando a tua cabeça para mim.
- Aos poucos aprofundo a imoral exploração juntando os lábios à língua.
- Vem mais fundo.
- Obediente persigo o limite até onde o posso esticar. Adoro todo o teu gosto.
- Não pares.
- Com as pontas de dois dedos cuidadosamente aperto o teu volume do prazer e sugo-o levemente com os meus lábios.
- Aí também gosto tanto...
- Vou e volto sempre ao ponto de partida. Entre os lábios e a língua mordisco esse delicioso clitóris com a cabeça bem encaixada entre as tuas pernas.
- Aperto-te com as pernas pedindo mais. - Empurrando-se contra a minha boa.
- Mais e mais fundo saboreando-te profundamente. Puxo-te para mim pelas nádegas introduzindo minha língua, lentamente, explorando o teu húmido fundo.
- Contorço-me.
- Pouso pesadamente as minhas mãos sobre teus seios sem tirar a língua do teu interior lambendo e sugando repetidamente.
- Ai...
- Estou a tocar-me enquanto escrevo. - A confessar o que fazia no real enquanto me perdia no virtual.
- Eu também. Igualmente confessa.
- Toca-te fundo, minha querida, imagina ser eu. Vem-te comigo.
- Estou quase...
- Também estou quase a pingar.
Um longo momento sem escrita deixa perceber que ficamos incapazes de teclar.
- O que te aconteceu. Questionou-me curiosa.
- Molhei-me. Por tua culpa. - Acusei com provocação.
- ...eu também. E a culpa é tua. - Ripostou da mesma forma.
- Levas-me ao céu mesmo sem nunca nos termos visto.
- Bigada!
- Como te sentes?
- Cansada.
- Só cansada?
- Fazes-me sentir bem. Tem mal?
- Claro que não. Adoro saber e participar.
- E tu?
- Sinto-me nas nuvens. És deliciosa. Quero ver-te.
- Um dia...
- Eu espero. Tenho a certeza que vale a pena.
- Vai valer.
- Agora voltamos. Falamos em breve
- Sim tens razão.
- Beijinhos. 💋💋💋💋💋
- Mais beijinhos para ti. 💋💋💋💋💋💋💋💋.
Não fora acontecimento único. Pontualmente repetíamos estes virtuais e apimentados encontros. Em cada um tentava visualizar como atava o sensual lenço que usava para me provocar, a sua doce expressão, o seu corpo a contorcer. o seu aroma, o seu gosto, a sua voz...
Até hoje não sei se Maria é real. É, no mínimo, a minha melhor fantasia virtual. Espero que nunca acabe.
QT