Quadrado Textil

Quadrado Textil
Lenço (latin linteum, -i, pano de linho) s.m. Peça de roupa, que consiste num pedaço de tecido, quadrado, com que se abriga o pescoço ou a cabeça.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Simples e Linda

Já vivia na Europa há mais de dois anos. A sua comunicação era bem fluida, embora nunca fugisse às suas raízes. Seu aniversário fora na semana passada, mas só ontem é que Sayuri, sua melhor amiga, já desde a escola primária, chegara. Ficava na casa de uma tia que a recebera nesta viagem.

Como não tinha carro, Asuka pedira-me para fazer de guia turístico e mostrar a zona à sua amiga. Embora tivesse passado o dia a ouvir japonês era, sem dúvida, encantadora a companhia das duas.

Na volta, Sayuri retira da sua mala um belo embrulho feito com um lenço. Era a sua oferta de anos para Asuka.

Aquela forma de decorar os presentes cativara a minha atenção.

Enquanto o presente era lentamente aberto, quase como ritual, não conseguia deixar de olhar para as suas delicadas mãos a abrir o lenço. 

Retirou um livro com capa de caráteres japoneses que eu desconhecia por completo.

Após um grande abraço e uma emotiva conversa, entre as duas, sem perceber palavra, vieram me agradecer o passeio. 

- Posso pedir-te mais um favor? - Perguntou-me Asuka.

- Claro que sim. 

- Importas-te de irmos levar a Sayuri? Já é tarde e ela ainda não conhece os transportes.

- Tenho todo o gosto. Quando quiserem.

- Pode ser agora? 

- Vamos.

Levei as duas e deixei Sayuri na casa da tia.

Voltamos a casa da Asuka.

- Anda. Sobe comigo, para te oferecer um chá como agradecimento pela disponibilidade.

Sentei-me na mesa onde estava o lenço aberto. 

Asuka entrega-me as duas canecas, que coloco na mesa, e volta à cozinha para trazer o bule.

Senta-se ao meu lado e repara que o lenço do presente me atraia a atenção.

- É bonito o lenço. - Afirmou em tom de questão.

- Muito bonito. - Respondi sem deixar escapar demasiado interesse.

Furoshiki.

- Como? - Sem perceber o que me dizia.

- Furoshiki. É uma forma tradicional de oferecer presentes no Japão.   

(Nota: Furoshiki é uma centenária técnica de embrulhar japonesa. Seja para presentes, compras, roupas ou até mesmo móveis - com um tecido quadrado feito de seda, algodão ou fibra e, usando as técnicas de dobragem corretas, é possível embalar quase tudo com estilo e de forma ecológica. Lenços são perfeitos para este efeito.)

- E depois o que fazes com o lenço? - Não resisti perguntar.

- Depende. Guardo sempre. É muito útil. Depois ou uso para embrulhar presentes ou uso como acessório na minha roupa.

- E como o usas? - Subtilmente a prolongar o tema que me provoca.

- Ou no cabelo ou no pescoço.

- Mostras-me?

- …Sim. Um pouco surpresa pelo pedido mas feliz com o interesse.

Rapidamente dobrou em fita e atou na cabeça com um simples nó em cima.

- Que gira… - Comentei logo em seguida, deliciado.

- Obrigada.

- É, de facto, muito útil e bonito. Estou fascinado. - Deixei escapar.

- Estás mesmo? Pensei que não fica bem como nas europeias.

- Estás fantástica. Mas porquê a comparação?

- Elas são mais bonitas. Têm olhos grandes, cabelos naturalmente de outras cores: Ruivos, louros, castanhos mais claros, mais volume e caracóis.

- Podem ter mais variedade mas o cabelo escuro e liso é tão bonito. Não precisas mais variações.

- Estás a ser amigo. - Concluiu sorridente.

- É mesmo o que penso. Eu mostro.

- Como?

- Trazes-me um espelho?

- Posso trazer. - Levantando-se em seguida.

Rapidamente foi e voltou. 

- Aqui está. - Entregando-me o espelho com as duas mãos

- Obrigado. Soltas o cabelo?

- Esta bem. - Retirando o lenço em fita que prendia o cabelo, e soltando-o com os dedos.

 - Perfeita. Agora olha bem no espelho e observa como é bonito, brilhante e sedoso o teu cabelo escuro. Observa bem o perfeito contraste com a tua pele.

- Os teus olhos são simpáticos. - Lisonjeada respondeu. 

- Não dizem mais que a verdade. Podes acreditar.

- Obrigada.

- Podes voltar a colocar o lenço na cabeça? Agora dobrado em triangulo e nó atrás? - Pedi-lhe atrevidamente, mas num contexto que não se notasse.

- Claro. - Abrindo o lenço e dobrando-o em triangulo e atando conforme pedido.

- Está novamente perfeito. Tens jeito para o colocar. Agora olha bem para ti. 

- E o que devo ver. - Curiosa e entusiasmada.

- Repara bem na tua cara tão expressiva, o pequeno e delicado nariz, lábios também pequenos e tão bem definidos e os teus olhos…

- Os olhos gostava que fossem redondos como as europeias.

- Não concordo. A forma é linda, reflete tão bem as tuas emoções, riem contigo, reagem a tudo e são sinceros. Gosto tanto.

- Arigatou gozaimasu... - Deixando escapar um prolongado e sincero agradecimento em japonês, com os seus olhos quase fechados num risquinho.

Surpresa pela minha atenção à sua aparência e o direto elogio, a sua face indiscretamente corava. Certamente não o esperava. Temi ter sido eu um pouco indiscreto não querendo forçar nada para não a deixar constrangida. 

- E a tua pela tão suave e lisa - Não me contive e continuei

- Gostas?

- Bem melhor que a minha pela peluda. - Num jocoso tom para aligeirar o tema.

- …Eu gosto. - Comentou baixinho após inusitado momento de silêncio.

- A serio? - Despertando a minha curiosidade.

- É fofo. Como um peluche. Dá vontade de fazer festas.

- Podes fazer. - Sem resistir ao desejo de uma mulher com lenço.

- Posso? Não faz mal?

- Claro que podes. - Agarrando suavemente a sua mão e colocando sobre meu antebraço.

- É confortável. - Foram as únicas palavras que pronunciou congelada pela timidez.


Envergonhada, desviando o seu doce olhar, apenas me tocava no braço com a ponta dos dedos, mas apreciava a subtil carícia que desenhava sobre a minha pele.

Pontualmente deixava escapar um discreto riso, que não consegui evitar comentar, talvez por provocação.

- Estás a rir? 

- Um bocadinho.

- Então porque?

- O pelo faz cocegas.

- E nem é a zona densa. O peito é muito mais denso.

Percebia-se a curiosidade escondida atrás do tímido riso. Faltava-lhe a coragem para o confessar.

- Tive uma ideia. - Sugeri provocador.

- Que ideia? - Sem perceber a intenção.

- Emprestas-me o teu lenço?

- Sim... - Passando a mão na cabeça, suavemente puxando o lenço para baixo.

Desatou o nó que juntava as pontas e entregou na minha mão e prendeu o cabelo, em rabo de cavalo, com o seu elástico.

Coloquei o lenço cuidadosamente sobre a mesa abrindo-o e, com as mãos,  alisei com precisão. Dobrei minuciosamente em triângulo e, seguidamente, em fita. 

- Tens muito jeito com o lenço. Deves aprender Furoshiki facilmente. - Atenta comentou.

- Penso que sim, mas agora aproxima-te.

Docemente atei o lenço sobe os seu olhos.

Não  ofereceu resistência alguma, notando que apreciava a suavidade do tecido do lenço ao cobrir seus olhos e despertando a sua curiosidade, provocada por esta ousadia.

Levemente peguei na sua mão e, por dentro da camisa, após discretamente soltar alguns botões, coloquei-a sobre o meu peludo peito. 

Suspira tão surpresa como curiosa. A sua respiração torna-se mais intensa e sonora. Certamente não esperava este atrevimento.  

Agora já não desvia o olhar inibido pelo lenço que a venda, mas que, paradoxalmente, a liberta.

Lenta e suavemente, percorre com os seus dedos, todo o meu peito. 

Deliciada, junta, sem pedir licença, a segunda mão alargando a sua exploração a todo o tronco. 

Gradualmente, sentido a imunidade que o lenço atado nos olhos lhe permite, liberta-se de preconceitos e prescinde de limites. Deixa-se guiar apenas pela curiosidade e desejo. 

Ri-se quando sente mais pelo em zonas, em por algum motivo a surpreende, como as axilas ou umbigo. 

Perdida, pede-me com um atrevimento que lhe desconhecia:

- Podes ficar de pé? - Numa voz muito baixinha.

- Claro. Tudo o que quiseres. - Levantando-me e, ao mesmo tempo, deixando cair as calças discretamente no mesmo movimento.

De camisa aberta e apenas de boxers, alarguei o seu campo de exploração.

Desta nem um sorriso. Apenas uma quase predadora vontade de consumir cada momento. Suas mãos descem às minhas pernas, explorando-as ao milímetro, descobrindo cada pilosidade, esquecendo a tímida mulher que me convidou para tomar chá.

Cada movimento é repetidamente executado, como se fosse desenhado e sempre com a mesma suavidade. Adoro vê-la assim curiosa. Posso olha-la indiscriminadamente. O lenço que a venda permite-me não ser detetado nessa deliciosa ousadia. 

Delicadamente coloco as minhas mãos sobre as suas ancas e sob a macia e leve  camisola de malha. Com precisão levanto a sua camisola, muito lentamente desnudando o seu tronco, enquanto sinto as suas discretas contorções ao subir as minhas mãos. Sem um som levanta os seus braços como se me dissesse para não parar. 

A camisola sai por completo. Fica caída sobre o sofá. 

Asuka deliberadamente afasta uma alça do soutien ficando solta sobre o braço. Era fácil perceber a licença que me dava. 

Abraço-a carinhosamente e enquanto sinto o seu tronco procurar o meu aconchego. Os meus braços envolvem-na enquanto cerca o meu pescoço com os seus. Apenas se ouve a nossa respiração. Meticulosamente solto os perniciosos ganchos que fecham o seu soutien. Folgo o abraço para que o soutien caia. Voltamos a nos encostar agora sem nada a obstruir o contacto. Apenas resta o seu colar de pérolas de rio, no seu pescoço, mas sem nenhuma interferência. Pele na pele num longo e fechado abraço. O meu peludo tronco contrasta com a sua sedosa pele. Ambos deliciados pela diferença perdemos a noção do tempo.





(Em breve continua...)



QT







 

 




































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