Já vivia na Europa há mais de dois anos. A sua comunicação era bem fluida, embora nunca fugisse às suas raízes. Seu aniversário fora na semana passada, mas só ontem é que Sayuri, sua melhor amiga, já desde a escola primária, chegara. Ficava na casa de uma tia que a recebera nesta viagem.
Como não tinha carro, Asuka pedira-me para fazer de guia turístico e mostrar a zona à sua amiga. Embora tivesse passado o dia a ouvir japonês era, sem dúvida, encantadora a companhia das duas.
Na volta, Sayuri retira da sua mala um belo embrulho feito com um lenço. Era a sua oferta de anos para Asuka.
Aquela forma de decorar os presentes cativara a minha atenção.
Enquanto o presente era lentamente aberto, quase como ritual, não conseguia deixar de olhar para as suas delicadas mãos a abrir o lenço.
Retirou um livro com capa de caráteres japoneses que eu desconhecia por completo.
Após um grande abraço e uma emotiva conversa, entre as duas, sem perceber palavra, vieram me agradecer o passeio.
- Posso pedir-te mais um favor? - Perguntou-me Asuka.
- Claro que sim.
- Importas-te de irmos levar a Sayuri? Já é tarde e ela ainda não conhece os transportes.
- Tenho todo o gosto. Quando quiserem.
- Pode ser agora?
- Vamos.
Levei as duas e deixei Sayuri na casa da tia.
Voltamos a casa da Asuka.
- Anda. Sobe comigo, para te oferecer um chá como agradecimento pela disponibilidade.
Sentei-me na mesa onde estava o lenço aberto.
Asuka entrega-me as duas canecas, que coloco na mesa, e volta à cozinha para trazer o bule.
Senta-se ao meu lado e repara que o lenço do presente me atraia a atenção.
- É bonito o lenço. - Afirmou em tom de questão.
- Muito bonito. - Respondi sem deixar escapar demasiado interesse.
- Furoshiki.
- Como? - Sem perceber o que me dizia.
- Furoshiki. É uma forma tradicional de oferecer presentes no Japão.
(Nota: Furoshiki é uma centenária técnica de embrulhar japonesa. Seja para presentes, compras, roupas ou até mesmo móveis - com um tecido quadrado feito de seda, algodão ou fibra e, usando as técnicas de dobragem corretas, é possível embalar quase tudo com estilo e de forma ecológica. Lenços são perfeitos para este efeito.)
- E depois o que fazes com o lenço? - Não resisti perguntar.
- Depende. Guardo sempre. É muito útil. Depois ou uso para embrulhar presentes ou uso como acessório na minha roupa.
- E como o usas? - Subtilmente a prolongar o tema que me provoca.
- Ou no cabelo ou no pescoço.
- Mostras-me?
- …Sim. Um pouco surpresa pelo pedido mas feliz com o interesse.
Rapidamente dobrou em fita e atou na cabeça com um simples nó em cima.
- Que gira… - Comentei logo em seguida, deliciado.
- Obrigada.
- É, de facto, muito útil e bonito. Estou fascinado. - Deixei escapar.
- Estás mesmo? Pensei que não fica bem como nas europeias.
- Estás fantástica. Mas porquê a comparação?
- Elas são mais bonitas. Têm olhos grandes, cabelos naturalmente de outras cores: Ruivos, louros, castanhos mais claros, mais volume e caracóis.
- Podem ter mais variedade mas o cabelo escuro e liso é tão bonito. Não precisas mais variações.
- Estás a ser amigo. - Concluiu sorridente.
- É mesmo o que penso. Eu mostro.
- Como?
- Trazes-me um espelho?
- Posso trazer. - Levantando-se em seguida.
Rapidamente foi e voltou.
- Aqui está. - Entregando-me o espelho com as duas mãos
- Obrigado. Soltas o cabelo?
- Esta bem. - Retirando o lenço em fita que prendia o cabelo, e soltando-o com os dedos.
- Perfeita. Agora olha bem no espelho e observa como é bonito, brilhante e sedoso o teu cabelo escuro. Observa bem o perfeito contraste com a tua pele.
- Os teus olhos são simpáticos. - Lisonjeada respondeu.
- Não dizem mais que a verdade. Podes acreditar.
- Obrigada.
- Podes voltar a colocar o lenço na cabeça? Agora dobrado em triangulo e nó atrás? - Pedi-lhe atrevidamente, mas num contexto que não se notasse.
- Claro. - Abrindo o lenço e dobrando-o em triangulo e atando conforme pedido.
- Está novamente perfeito. Tens jeito para o colocar. Agora olha bem para ti.
- E o que devo ver. - Curiosa e entusiasmada.
- Repara bem na tua cara tão expressiva, o pequeno e delicado nariz, lábios também pequenos e tão bem definidos e os teus olhos…
- Os olhos gostava que fossem redondos como as europeias.
- Não concordo. A forma é linda, reflete tão bem as tuas emoções, riem contigo, reagem a tudo e são sinceros. Gosto tanto.
- Arigatou gozaimasu... - Deixando escapar um prolongado e sincero agradecimento em japonês, com os seus olhos quase fechados num risquinho.
Surpresa pela minha atenção à sua aparência e o direto elogio, a sua face indiscretamente corava. Certamente não o esperava. Temi ter sido eu um pouco indiscreto não querendo forçar nada para não a deixar constrangida.
- E a tua pela tão suave e lisa - Não me contive e continuei
- Gostas?
- Bem melhor que a minha pela peluda. - Num jocoso tom para aligeirar o tema.
- …Eu gosto. - Comentou baixinho após inusitado momento de silêncio.
- A serio? - Despertando a minha curiosidade.
- É fofo. Como um peluche. Dá vontade de fazer festas.
- Podes fazer. - Sem resistir ao desejo de uma mulher com lenço.
- Posso? Não faz mal?
- Claro que podes. - Agarrando suavemente a sua mão e colocando sobre meu antebraço.
- É confortável. - Foram as únicas palavras que pronunciou congelada pela timidez.
Envergonhada, desviando o seu doce olhar, apenas me tocava no braço com a ponta dos dedos, mas apreciava a subtil carícia que desenhava sobre a minha pele.
Pontualmente deixava escapar um discreto riso, que não consegui evitar comentar, talvez por provocação.
- Estás a rir?
- Um bocadinho.
- Então porque?
- O pelo faz cocegas.
- E nem é a zona densa. O peito é muito mais denso.
Percebia-se a curiosidade escondida atrás do tímido riso. Faltava-lhe a coragem para o confessar.
- Tive uma ideia. - Sugeri provocador.
- Que ideia? - Sem perceber a intenção.
- Emprestas-me o teu lenço?
- Sim... - Passando a mão na cabeça, suavemente puxando o lenço para baixo.
Desatou o nó que juntava as pontas e entregou na minha mão e prendeu o cabelo, em rabo de cavalo, com o seu elástico.
Coloquei o lenço cuidadosamente sobre a mesa abrindo-o e, com as mãos, alisei com precisão. Dobrei minuciosamente em triângulo e, seguidamente, em fita.
- Tens muito jeito com o lenço. Deves aprender Furoshiki facilmente. - Atenta comentou.
- Penso que sim, mas agora aproxima-te.
Docemente atei o lenço sobe os seu olhos.
Não ofereceu resistência alguma, notando que apreciava a suavidade do tecido do lenço ao cobrir seus olhos e despertando a sua curiosidade, provocada por esta ousadia.
Levemente peguei na sua mão e, por dentro da camisa, após discretamente soltar alguns botões, coloquei-a sobre o meu peludo peito.
Suspira tão surpresa como curiosa. A sua respiração torna-se mais intensa e sonora. Certamente não esperava este atrevimento.
Agora já não desvia o olhar inibido pelo lenço que a venda, mas que, paradoxalmente, a liberta.
Lenta e suavemente, percorre com os seus dedos, todo o meu peito.
Deliciada, junta, sem pedir licença, a segunda mão alargando a sua exploração a todo o tronco.
Gradualmente, sentido a imunidade que o lenço atado nos olhos lhe permite, liberta-se de preconceitos e prescinde de limites. Deixa-se guiar apenas pela curiosidade e desejo.
Ri-se quando sente mais pelo em zonas, em por algum motivo a surpreende, como as axilas ou umbigo.
Perdida, pede-me com um atrevimento que lhe desconhecia:
- Podes ficar de pé? - Numa voz muito baixinha.
- Claro. Tudo o que quiseres. - Levantando-me e, ao mesmo tempo, deixando cair as calças discretamente no mesmo movimento.
De camisa aberta e apenas de boxers, alarguei o seu campo de exploração.
Desta nem um sorriso. Apenas uma quase predadora vontade de consumir cada momento. Suas mãos descem às minhas pernas, explorando-as ao milímetro, descobrindo cada pilosidade, esquecendo a tímida mulher que me convidou para tomar chá.
Cada movimento é repetidamente executado, como se fosse desenhado e sempre com a mesma suavidade. Adoro vê-la assim curiosa. Posso olha-la indiscriminadamente. O lenço que a venda permite-me não ser detetado nessa deliciosa ousadia.
Delicadamente coloco as minhas mãos sobre as suas ancas e sob a macia e leve camisola de malha. Com precisão levanto a sua camisola, muito lentamente desnudando o seu tronco, enquanto sinto as suas discretas contorções ao subir as minhas mãos. Sem um som levanta os seus braços como se me dissesse para não parar.
A camisola sai por completo. Fica caída sobre o sofá.
Asuka deliberadamente afasta uma alça do soutien ficando solta sobre o braço. Era fácil perceber a licença que me dava.
Abraço-a carinhosamente e enquanto sinto o seu tronco procurar o meu aconchego. Os meus braços envolvem-na enquanto cerca o meu pescoço com os seus. Apenas se ouve a nossa respiração. Meticulosamente solto os perniciosos ganchos que fecham o seu soutien. Folgo o abraço para que o soutien caia. Voltamos a nos encostar agora sem nada a obstruir o contacto. Apenas resta o seu colar de pérolas de rio, no seu pescoço, mas sem nenhuma interferência. Pele na pele num longo e fechado abraço. O meu peludo tronco contrasta com a sua sedosa pele. Ambos deliciados pela diferença perdemos a noção do tempo.
(Em breve continua...)
QT

